Milagre que obrou Nossa Senhora do Carmo a Bárbara Rita Proença em Caria

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Num contacto recente com o meu amigo Mário Tomás, enviou-me fotos de Ex-votos, ofertas de agradecimento pelo cumprimento de promessas, que estão expostos no santuário de Nossa Senhora do Carmo. Estes Ex-votos em particular, seguem um dos formatos comuns, com cenas pintadas por um artista amador, representando e explicando a razão da oferta desse quadro a Nossa Senhora, em reconhecimento de uma graça recebida, frequentemente o recobro de uma doença considerada muito grave.

Um desses quadros tem a descrição que dá título a esta publicação, ou seja, é oferecido por uma senhora de Caria. A indicação do ano a que se refere não é muito clara, mas parece referir-se a 1872.

Tendo em conta que temos um levantamento dos casamentos e batizados registados nos livros paroquiais de Caria, achei que seria curioso tentar contextualizar esta pessoa e a sua família. Resumo de seguida o que consegui apurar.

A Bárbara Rita de Proença morava em Caria, mas era natural de Peraboa. Casou em Caria com João de Almeida Campos, em 20/9/1868. O João e os pais eram de Caria, de seus nomes João de Almeida Campos e Isabel Alves Tosco. No registo de casamento é referido como solteiro, lavrador. Nos registos de batizado das filhas refere-se como proprietário.

A Bárbara era viúva, o primeiro marido chamava-se António Pires Soares. Os pais da Bárbara eram de Peraboa, de seus nomes Luís Proença e Ana Rita. Nos registos de batizados das filhas surge referida como costureira num e administradora da casa noutro.

Quando casaram ele tinha trinta e três anos e ela trinta e seis.

O João e a Bárbara tiveram três filhas:

- Carlota, nascida em 1869; falecida em 1872;

- Isabel (Isabel Proença) – Nascida em 1872; o registo de batismo refere que foi batizada em casa por estar em “perigo de vida”; casou em 1894 com José Braz da Silveira, de Caria. Tiveram dois filhos, de nomes Luís e João.

- Ana (Ana Proença) – Não encontrámos registo de batismo; terá sido batizada noutra freguesia, por exemplo Peraboa, terra da mãe? Casou em 1895 com Manuel José Leitão das Inguias. Segundo o registo, teria 19 anos, pelo que terá nascido em 1875/1876. Não constam em Caria registos de batismos de filhos. Terão ido viver para as Inguias. Numa breve pesquisa encontrei o registo de batismo de um primeiro filho, em 1897, de nome Acácio.

Em jeito de resumo, a Bárbara teve um problema grave de saúde. Apesar de “casar tarde”, teve três filhas e duas delas casaram. Com o auxílio da sua fé conseguiu recobrar a saúde. A confirmar-se a data de 1872 do Ex-voto, pode o problema de saúde estar relacionado com a gestação ou parto da filha Isabel, pois como se refere no registo de batismo, a criança ao nascer estava em risco de não sobreviver. Mas teve pelo menos mais uma filha, a Ana. Note-se que a teve com quarenta e quatro anos.

O quadro representa, pois, a Bárbara doente no seu leito, enquanto a seu lado um clérigo faz o acompanhamento espiritual e a seu lado ajoelhado, desesperado, a chorar, vemos decerto o seu marido João de Almeida Campos. Não podemos afirmar quem seria o clérigo pois nessa época havia vários em Caria. Surge uma quarta pessoa ajoelhada, a rezar, vestida como o marido, mas não é possível saber de quem se trataria.

Estes quadros seguiam modelos com representações convencionais. Decerto que não haveria uma coluna em pedra. Mesmo os detalhes da cama ou a disposição dos objetos não seria real. O artista muito possivelmente nunca teria estado lá.

 

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