Terminámos o levantamento dos registos de óbitos dos livros paroquiais digitalizados
LMCPM – 1985
Para melhor se compreender
o sentido da informação que agora se publica, permita o leitor um breve
enquadramento.
Como já se explicou
em publicações anteriores, em 2024 um grupo de carienses terminou uma primeira
fase do levantamento dos registos paroquiais de Caria, de batismos e
casamentos, dos livros que se encontram digitalizados na internéte.
O principal
objetivo foi permitir que quem tenha essa vontade, possa pesquisar os seus
antepassados aqui nascidos ou casados. Para facilitar a consulta por qualquer
pessoa, pretendemos disponibilizar uma página de pesquisa na internéte, a qual
estaria alojada no sítio da Junta. Estivemos em contacto com a Junta de Freguesia,
a qual se mostrou interessada em avançar com essa página, mas por dificuldades
diversas até ao momento tal não foi possível.
Os livros então digitalizados, correspondem aos seguintes livros existentes e guardados no Arquivo Distrital de Castelo Branco, bem como na Torre do Tombo, referentes a:
- Batismos; Período 1702-1911
- Casamentos; Período 1594-1911
Note-se que há
registos de batismos anteriores, de 1594 a 1701, mas nesse período não
indicavam os avós da criança, o que não permite fazer pesquisas para gerações
anteriores. Por essa razão esse levantamento não se considerou prioritário e
não foi ainda feito.
Recolhemos para os referidos períodos:
- 11960 registos de batismo (209 anos)
- 3394 registos de casamento (317 anos)
Entretanto considerámos
que poderia também interessar avançar com o levantamento dos óbitos e assim se
fez. Desta vez a equipa era mais reduzida. Contámos com a colaboração de
Prazeres Roque e Adosinda Pereirinha, mas devo salientar a capacidade e o
empenho da Adosinda neste desafio! Fez o levantamento total de 43 livros
anuais, mais um que inclui 23 anos, e colaborou comigo no levantamento de outros
dois livros, um de 27 anos e outro de 41!
Terminámos, pois,
esta maratona de registos de óbitos, cobrindo o período 1594-1911 (317 anos),
sendo anotados 11386 óbitos.
Estou certo de
que, para lá das pesquisas no âmbito familiar, estes levantamentos poderão ser
usados como suporte a estudos académicos que poderão acrescentar ainda mais
informações. Por exemplo, são patentes as elevadas flutuações nas taxas de
óbitos. Alternam-se períodos em que ocorrem um a dois óbitos por mês, que se
presume serem períodos sem contágios, com outros em que num mês falecem vinte
ou mais pessoas, sintoma evidente de epidemia. Não é necessário estar
particularmente atento para nos apercebermos de muitas situações que terão sido
dramáticas de óbitos de vários elementos da mesma família, espaçados por poucos
dias.
Pessoalmente foi
uma experiência que ultrapassou em muito as minhas expetativas quanto à riqueza
da informação recolhida. Ao contrário dos registos de batismo e casamento, que muito
raramente fogem das referências padronizadas, nos óbitos encontramos com
frequência anotações complementares, por vezes cativantes sobre o falecido, a
causa da morte, o local da sepultura...
Eis alguns exemplos:
- frequentemente se indicam as suas devoções e legados de missas, bem como os bens que deixam e a quem; por vezes bens valiosos incluindo casas e propriedades, outras vezes, algumas poucas peças de roupa usada…
- por vezes surgem óbitos de gente “estranha”, mendigos, viajantes, e por vezes o padre descreve o aspeto do falecido;
- por vezes indica-se a causa da morte, seja uma doença, um tiro, um afogamento;
- por vezes, sobretudo na época anterior à atual estrutura da igreja, descreve-se o local em que se sepultou, dentro da igreja, o que permitirá perceber qual era a anterior estrutura do templo, tema que o professor António Borges já abordou no seu livro “A última vontade”.
Por curiosidade
mostro a seguir o primeiro e o último registos desta recolha.
Primeiro registo
de óbito – 15/1/1594
[A] 15 de janeiro (janrº) de 1594 (94) faleceu Francisco Gonçalves (frco
g@) fez testamento (testamº) […go da Cunha Pereira]
Último registo de óbito – 31/3/1911
Aos trinta e um dias do mês de Março do ano de mil novecentos e onze, às
três horas da manhã numa casa da Rua Direita desta freguesia de Caria, Concelho
de Belmonte, Diocese da Guarda faleceu um indivíduo do sexo feminino a quem dei
digo por nome Jesuína de idade de catorze meses, natural e moradora nesta
freguesia, filha ilegítima de Maria Ludovina, jornaleira, natural e moradora
nesta freguesia, a qual foi sepultada no cemitério público. E para constar
lavrei em duplicado este assento que assino. Era ut supra.
O Coadjutor Alberto Tomé Mendes

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