Curiosidades sobre os registos paroquiais de Caria – Os primeiros registos

Texto publicado na edição nº 49 - 29/3/2024 do Correio de Caria
No artigo anterior fez-se um resumo do contexto histórico e dos livros de registo que existem da paróquia de Caria até 1911.
Neste artigo apresento os primeiros registos de batismo, casamento e óbito. A imagem anterior é precisamente do registo de batismo.
De uma forma geral os párocos usavam muitas abreviaturas para tornar mais rápida a escrita. Isso complica por vezes a interpretação. Nas transcrições que se apresentam coloco a abreviatura entre parêntesis curvos (…) para ilustrar a correspondência.
Sucede também que por vezes a interpretação do texto não é segura. Apresenta-se entre parêntesis retos […] o texto sobre o qual haja dúvidas.
No final de todos surge a assinatura do pároco Diogo da Cunha.
Este primeiro registo de batismo é de uma menina a quem foi dado o nome de Maria, datando de 20 de Janeiro de 1594. A leitura deste registo não é fácil sobretudo porque a página está muito suja, dado ser uma das primeiras do livro.
A sua transcrição com palavras atuais será:
Aos 20 [dias do] mês de Janeiro (Janº) do ano de 1594 [batizei …] por nome Maria filha de Francisco (Frco) e [… Miguel] foram padrinhos Pero Nunes e [Leonor Rodrigues (Roiz)] mulher de Simão Nunes.
Temos, pois, uma “Maria” como primeiro destes registos, o que não admira. Como veremos numa próxima publicação, este nome foi sempre o mais adotado. Os outros nomes e apelidos eram e continuaram a ser também comuns à exceção de “Pero” que foi caindo em desuso.
No que se refere a casamentos, o mais antigo data de 19 de Janeiro do mesmo ano de 1594. Pode-se ver a imagem a seguir.

A sua transcrição será:
Aos 19 dias do mês de Janeiro (Janrº) do ano de 1594 recebi eu o Padre (Pe) Diogo (Do) da Cunha cura deste lugar em face da igreja (igrª) a António (Antº) Gonçalves (Gs) viúvo com Francisca (Frca) Rodrigues (Roiz) de que foram testemunhas (tas) António (Antº) Pires (Pis) e João Domingues (Domiz) e assinei.
Neste caso de forma semelhante temos apenas nomes e apelidos muito comuns.
O 1º óbito registado parece ser da mesma data, 19 de Janeiro. Mostra-se a seguir.

A sua transcrição é:
A [19] de Janeiro (Janrº) de 1594 (94) faleceu Francisco (Frco) Gonçalves (Gs)
Fez testamento
Os registos de óbito nesta época eram muito breves. O nome e apelido do falecido, mais uma vez era e é muito comum. Realça-se apenas que era frequente que estes registos referissem se tinha feito testamento e mesmo quem era o testamenteiro, o que neste caso não sucedeu.
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